sábado, 12 de junho de 2010

Isso é realmente verdade?

Querido amigo,
Essas semanas foram um pouco tumultuadas. Ainda não consegui me organizar para escrever aqui todos os dias. Mas hoje tenho uma história que gostaria de compartilhar com você.
Se trata de uma jovem adulta (como diria minha querida professora Maria Cristina Loyola), com aproximadamente 35 anos, que veio ao RH pedir emprego de zeladora. Durante a entrevista ela me disse que queria um emprego para ajudar nas contas da casa, sendo que nunca havia trabalhado de carteira assinada, somente em casa de família. Até agora, nada de novidade. A maioria das mulheres que vem pedir emprego tem esse perfil. O que mais me chamou a atenção e me fez refletir foi que essa jovem nunca foi a escola e não sabe nem escrever o próprio nome.Quando a questionei sobre isso, ela disse que sempre teve vontade de estudar, mas que a mãe dela nunca a matriculou e, depois de grande, sentiu vergonha de entrar na escola por se considerar velha. Essa vergonha ficou bastante nítida quando pedimos a ela para preencher um formulário. Mesmo com alguma ajuda, ela informou que não estava conseguindo enxergar as letras pequenas do papel (que nao eram tao pequenas assim).Eu sabia que no fundo ela não queria dizer o real motivo, mas como tenho que obedecer ordens do padrão de contratação, não pude continuar o processo seletivo.Até porque no cargo de zeladora, o uso de produtos químicos exige o mínimo de leitura e poderiamos ter problemas no futuro.
Apesar de ter gostado muito daquela mulher, não a contratamos. Senti muito por isso, mas disse a ela que cuidasse desse "problema de visão" e que retornasse quando pudesse "enxergar melhor".
Infelizmente ainda encontramos histórias assim neste país. E muitas vezes não damos valor ao poder que temos nas mãos de escrever e ler o que queremos e quando queremos.
Aqui temos uma aula para jovens e adultos, mas acredito que o método não é o mais adequado devido ao grande número de evasão e reclamações.
Os professores de turmas como essa muitas vezes tentam ensinar esses alunos de modo infantil, como se estivesse lindando com crianças . Muitas vezes falta paciência aos aprendizes e didática dos professores.
Métodos de ensino individualizados para cada turma e local de ensino, aplicação pratica do que é ensinado e uma forma mais dinâmica de se passar o conhecimento são formas úteis de se melhorar o processo de aprendizagem e o tornar mais rápido e eficaz para esse público tão peculiar.
Amanha eu volto com mais uma história que me fez refletir.

Um comentário:

  1. Que história, hem Lu? É terrível a sensação de impotência que dá o "querer ajudar" e o "não poder ajudar". É ainda mais terrível por saber as dificuldades que essa mulher terá mesmo que decida se alfabetizar. Mas que para ela sirva de motivação para romper essa barreira e nunca mais ter que passar por um constrangimento como esse, que dói até nas nossas almas!

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