sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Cada dia que passa...

Diário,
Hoje estou muito feliz. Depois de tantas tribulações, desligamento de pessoas, críticas e dores de cabeça, finalmente tive uma semana em que pude respirar.
Acho q a sensação de estar fazendo as coisas direitinho me deixa muito feliz de estar aqui e fazer o que eu faço.
Ontem foi um dia atípico. Quem trabalha em RH em qualquer empresa, independente da formação, acaba se tornando um psicólogo. Acredito que em construção civil isso seja atenuado pelo fato das pessoas deixarem suas casas es familias para trabalhar a 2.500 km de distância ou mais de suas casas.
Mas ontem, um caso muito interessante veio até mim. Uma mulher, 21 anos, marido preso em outra cidade, uma filha de 2 anos que mora com a mãe, perdeu um filho há 1 ano e agora está grávida de 2 meses do namorado. Seu maior medo é perder esse filho que está esperando. A gestação do último (que faleceu) foi muito parecida com a que está tendo agora.
O que fazer diante desse relato tão surreal pra mim?
A única coisa que pude fazer foi ouvi-la, fazer com que ela focasse em outras coisas (pelo menos por alguns minutos) e pedir que procure um acompanhamento psicológico mais regular.
Percebi que havia ali outros problemas que só a terapia poderia ajudar: sentimento de rejeição da mãe, baixa auto-estima, sintomas depressivos, falta de perspectiva...
Quando ela saiu daqui, percebi que estava com o pensamento em outras coisas que não era mais ou tão somente a formação de seu bebê.
Ela entrou aqui perdida, sem esperanças. Mas acho que saiu com uma perspectiva de um futuro diferente, e quem sabe, feliz. Pode até não ser tão bonito assim, mas tenho certeza de que a ajudei de alguma forma.
Não sei quem saiu mais modificada de nossa conversa: ela ou eu.
Só sei que me deu um prazer enorme de ser PSICOLOGA (apesar de não ser essa minha função na empresa). Senti vontade de abraçá-la...mas nao pude. Espero que ela compreenda e que volte quando precisar.
Nessas horas eu sinto vontade de abrir um consultório, mas sei que não é o momento pra mim. Estou aprendendo muito aqui. E espero que essa experiencia possa gerar frutos maiores que esse blog.

Ate a proxima parada (ou passagem)!